domingo, 9 de agosto de 2009

Saudade



Abrace-me com carinho, querida. Não me importo com o vinho e com as discussões. Sou todo euforia ao encontrar-te, quebrando a taça e ferindo meus pés. Ofendo-te com ternura, com beijos e toques. Agasalhe-me com sua revolta, sua paixão e raiva. Piso nos cacos, misturando meu sangue ao vinho e a sua fraqueza e tristeza. Caia em meus cuidados, livre-se de mim, evolva-me com sua alegria debilitada. Sinto os cacos em meus pés e seu olhar de insegurança, vergonha, amor e apatia. Apenas esqueça, querida, e me abrace, pois sou em si debilitado, assim como você. Chore, sorria, e me faça sorrir.

Velho homem



Essa tarde quente me incomoda. Os pássaros, a grama, os bancos; tudo lindo e irritante. Encaro esses sentimentos naturalmente, a ponto de entender meu ódio que me ofende, me atinge e me torna sensível. Sou bombardeado pelo ambiente e discrimino tudo como repulsivo. Não me toque, não fale comigo e sinta-se à vontade para tomar distância. Visita-me a ignorância e o ceticismo na utiliadade de minhas ações. Amorfo e perturbado, sou uma massa de consequências, um todo destruído pela angústia, apesar de amar "ser". Me conformo com a tristeza, esperando pela alegria. Essa raiva inusitada logo passará, até um evento inesperado nesse feixe de relações. Após tanto viver, não encontro regularidade em meus estados, meus sentimentos; sou todo viés. Acredito na morte plena sem fantasias, que a idade fará questão de trazer em pouco tempo. Ainda espero por um sorriso meu, sincero e verdadeiro, iguais a tão poucos que vivenciei nesse asilo podre em que me desfaço