As vezes é tão bom... como o nada escrito, o branco e o abraço, o rosa, o azul confortante, o palha... o que não felicita simplesmente é esquecido, visto a grandiosidade do que ocorrera. O bobo, o feliz por ser feliz, de sorriso sem troca...(agora sorrio). A possibilidade do afável, to carinhoso, do humano amoroso, pelo simples fato do eu depender do outro, e esse outro existir em toda sua potencialidade, jogados no viés do mundo da linguagem, em que se constrói esse homem, o outro, no emaranhado de sensações e percepções limitados, que nos sufocam e nos desmaiam de alegria, como aprendemos a chamar e enunciar. Obrigado por existir, e obrigado, inventor do amor.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
Saudade

Abrace-me com carinho, querida. Não me importo com o vinho e com as discussões. Sou todo euforia ao encontrar-te, quebrando a taça e ferindo meus pés. Ofendo-te com ternura, com beijos e toques. Agasalhe-me com sua revolta, sua paixão e raiva. Piso nos cacos, misturando meu sangue ao vinho e a sua fraqueza e tristeza. Caia em meus cuidados, livre-se de mim, evolva-me com sua alegria debilitada. Sinto os cacos em meus pés e seu olhar de insegurança, vergonha, amor e apatia. Apenas esqueça, querida, e me abrace, pois sou em si debilitado, assim como você. Chore, sorria, e me faça sorrir.
Velho homem

Essa tarde quente me incomoda. Os pássaros, a grama, os bancos; tudo lindo e irritante. Encaro esses sentimentos naturalmente, a ponto de entender meu ódio que me ofende, me atinge e me torna sensível. Sou bombardeado pelo ambiente e discrimino tudo como repulsivo. Não me toque, não fale comigo e sinta-se à vontade para tomar distância. Visita-me a ignorância e o ceticismo na utiliadade de minhas ações. Amorfo e perturbado, sou uma massa de consequências, um todo destruído pela angústia, apesar de amar "ser". Me conformo com a tristeza, esperando pela alegria. Essa raiva inusitada logo passará, até um evento inesperado nesse feixe de relações. Após tanto viver, não encontro regularidade em meus estados, meus sentimentos; sou todo viés. Acredito na morte plena sem fantasias, que a idade fará questão de trazer em pouco tempo. Ainda espero por um sorriso meu, sincero e verdadeiro, iguais a tão poucos que vivenciei nesse asilo podre em que me desfaço
domingo, 5 de julho de 2009
Confusus sapiens sapiens

Oh! Grande loucura, habitante de minha existência... habitante? O que posso atribuir como loucura, descartadas desordens fisiológicas? Representações não condizentes com as demais sobre o mundo? Fugir da normalidade significa apresentar-se como louco? Meu nome é disfarce, vivo em devaneios, é um grande prazer. Nunca aprendi a entender a realidade, na medida em que nunca sequer soube quem sou ou quem fui e não tenho certeza do meu existir. Perdoe minhas confusões, mas elas são o sentido de minha vida. Sim! Vivo em pensamentos intrincados e nebulosos, mas nesse sentido, sinto apenas o que me é pulverizado, com toda minha incapacidade de compreensão, apenas com meus limitados e perturbadores sentidos; aprendi a chamá-los de medo, dor, angústia, desespero e náusea. Me resumo e sentir tudo o que não sei o significado; apenas reflito e me perco. Meu desespero contido, não é observado em minhas ações, guardo-as para o plano privado, mundo mais que confuso, que não tenho certeza de existência.
Minhas perguntas não tem respostas. Minhas respostas nada respondem. Ando e vago pelas calçadas, com olhar frio e a boca seca, procurando de álcool e alimento. Sou pertence da morte, encontro por vezes a confusão e relaciono-me com o incompreensível. Meu nome é Afável, e encontro na ansiedade da vida, a acepção da morte, de modo a fugir sem rumo. Não digo que sou todo desgosto, o desgosto sou eu, simples e irredutível. Por vezes, chamam-me de Amargo. Vivo na culpa e no desamparo, mas sorrio esporadicamente. Essa coisa de alegria, essa coisa de amor, essas coisas a que eu aprendi a assim chamá-las, visitam-me inesperadamente. São agradáveis, confesso, mas desaparecem como uma taça de vinho em minhas mãos. Fui por muito chamado de louco, por sapiens iguais, mas eles são ainda piores! Vivem suas vidas com sentidos rebuscados e conformistas. São enfermos.
Vejo uma bela rosa, mas logo ela se desfaz, assim como tudo o que aprendi a gostar. Nesse sentido, a rosa me perturba profundamente. Tudo que me felicita, rapidamente extrai sem volta, o júbilo proporcionado por pouco tempo... Perdoe-me, falo demais, por isso sou chamado de Constante, assim como minha vida, e incompreensão da natureza do mundo. Vida submágoa, subexistente com subsentidos, desordenada, indigesta. Mas ela é algo que minha linguagem, ou falta dela, na medida em que não acredito em compasso entre enunciação e coisas, fazendo uso da própria linguagem chego a algo que me extasia, que chamo de "Respirar". Ah! Respirar se aproxima de uma visita de sentidos altamente confortante, antes de visitar-me a descrença e a mágoa sem sentido. Meu caro, obrigado pelos instantes. Meu nome é Lembrança, sou seu amigo. Termino aqui, sem respostas, sem perguntas.
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