
Oh! Grande loucura, habitante de minha existência... habitante? O que posso atribuir como loucura, descartadas desordens fisiológicas? Representações não condizentes com as demais sobre o mundo? Fugir da normalidade significa apresentar-se como louco? Meu nome é disfarce, vivo em devaneios, é um grande prazer. Nunca aprendi a entender a realidade, na medida em que nunca sequer soube quem sou ou quem fui e não tenho certeza do meu existir. Perdoe minhas confusões, mas elas são o sentido de minha vida. Sim! Vivo em pensamentos intrincados e nebulosos, mas nesse sentido, sinto apenas o que me é pulverizado, com toda minha incapacidade de compreensão, apenas com meus limitados e perturbadores sentidos; aprendi a chamá-los de medo, dor, angústia, desespero e náusea. Me resumo e sentir tudo o que não sei o significado; apenas reflito e me perco. Meu desespero contido, não é observado em minhas ações, guardo-as para o plano privado, mundo mais que confuso, que não tenho certeza de existência.
Minhas perguntas não tem respostas. Minhas respostas nada respondem. Ando e vago pelas calçadas, com olhar frio e a boca seca, procurando de álcool e alimento. Sou pertence da morte, encontro por vezes a confusão e relaciono-me com o incompreensível. Meu nome é Afável, e encontro na ansiedade da vida, a acepção da morte, de modo a fugir sem rumo. Não digo que sou todo desgosto, o desgosto sou eu, simples e irredutível. Por vezes, chamam-me de Amargo. Vivo na culpa e no desamparo, mas sorrio esporadicamente. Essa coisa de alegria, essa coisa de amor, essas coisas a que eu aprendi a assim chamá-las, visitam-me inesperadamente. São agradáveis, confesso, mas desaparecem como uma taça de vinho em minhas mãos. Fui por muito chamado de louco, por sapiens iguais, mas eles são ainda piores! Vivem suas vidas com sentidos rebuscados e conformistas. São enfermos.
Vejo uma bela rosa, mas logo ela se desfaz, assim como tudo o que aprendi a gostar. Nesse sentido, a rosa me perturba profundamente. Tudo que me felicita, rapidamente extrai sem volta, o júbilo proporcionado por pouco tempo... Perdoe-me, falo demais, por isso sou chamado de Constante, assim como minha vida, e incompreensão da natureza do mundo. Vida submágoa, subexistente com subsentidos, desordenada, indigesta. Mas ela é algo que minha linguagem, ou falta dela, na medida em que não acredito em compasso entre enunciação e coisas, fazendo uso da própria linguagem chego a algo que me extasia, que chamo de "Respirar". Ah! Respirar se aproxima de uma visita de sentidos altamente confortante, antes de visitar-me a descrença e a mágoa sem sentido. Meu caro, obrigado pelos instantes. Meu nome é Lembrança, sou seu amigo. Termino aqui, sem respostas, sem perguntas.
Dúvidas constroem, meu amigo.
ResponderExcluirTo tentando construir alguma cosa com as minhas.
E destruindo um mol de outras coisas.
É, como eu te digo algo como uma vez por dia, Vamos dar as mãos e pular junto!
Meu querido.
genial.
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